Para falarmos sobre a história dos GEOSSINTÉTICOS, primeiro é preciso introduzirmos o que é este produto e porque ele é e foi tão importante para o desenvolvimento da humanidade ao longo dos anos.

De forma simplificada, os geossintéticos são produtos industrializados que têm pelo menos uma de suas partes feitas a partir de polímeros sintéticos ou naturais. Essa solução pode ser aplicada na engenharia e na mineração.

Imagem 01: Tipos de geossintéticos

Dentre as diversas aplicações possíveis, os geossintéticos na engenharia podem ser utilizados para separação, filtração, drenagem, reforço, contenção de fluido/gás ou controle de processos de erosão são particularmente proeminentes

E essa solução, que não é nova, conseguiu sanar diversos problemas na engenharia, como a estabilização de solos frágeis, drenagem de estradas, mitigação de erosão, etc. Levando em conta todo o valor atrelado a eles, trouxemos a história dos geossintéticos neste artigo. Confira:

Primeiros indícios do uso de geossintéticos

Quando nos debruçamos sobre a história da humanidade, nos deparamos desde antes de Cristo com construções de grande magnitude, como é o caso da Muralha da China, que possui 21.196 quilômetros de extensão e foi construída 200 anos antes de Cristo. Você já parou para pensar como isso foi possível? 

Estudos apontam que, desde o início, as civilizações utilizavam dos insumos disponíveis para melhoria do solo que iriam construir, viver, criar animais ou plantar. Um exemplo disso é a aplicação de junco, palha, bambu e outros materiais vegetais resistentes que eram utilizados para dar mais estabilidade às construções. 

Pesquisadores encontraram vestígios deste uso em diversas obras do Império Romano, por exemplo, onde era muito comum construírem os Zigurates,  característico da arquitetura religiosa mesopotâmica, monumentos de grandes dimensões e que possuíam escadas desde a sua base até o topo. O que só era possível de ser feito se existisse uma base estável para suportar o peso da construção. Daí surgem os primeiros indícios da aplicabilidade de geossintéticos na história.

Imagem 02: Zigurates – mesopotâmia 

A era dos geossintéticos

Após a Segunda Guerra Mundial, com a derrota dos alemães e a perda do controle dos poços de petróleo, os Estados Unidos investiram ainda mais pesado na produção petroquímica, o que impulsionou a produção de produtos plásticos e deu espaço para a criação de soluções para engenharia civil a partir dessas produções. E, assim como em outros mercados, a produção industrial trouxe mais velocidade, otimização de tempo e volume de entrega para as construtoras e mineradoras. 

A partir disso, vendo as vantagens e inúmeras possibilidades da criação utilizando a indústria petroquímica, surgem inúmeros produtos voltados para estas áreas, que foram responsáveis por viabilizar diversas construções que conhecemos hoje e que possuem vida útil mais longa, com menos necessidade de manutenção e que foram construídas de forma muito mais ágil que sem a presença desses materiais, que hoje chamamos de geossintéticos.

Anos 50

Na década de 1950 surgiram as primeiras aplicações de materiais produzidos em laboratório, com a utilização de geotêxteis tecidos como elementos de filtro para proteção anti erosiva, em obras hidráulicas nos Estados Unidos para o controle de erosões marítimas, e aplicações semelhantes na antiga Alemanha Ocidental e no Japão

Um exemplo de utilização desse material perto da gente foram as obras do Plano de Metas, de Juscelino Kubitschek, que entre 1956 e 1960 fez inúmeras obras com objetivos voltados para o desenvolvimento do país, ligadas, por exemplo, a energia hidrelétrica, malha ferroviária e rodoviária e polos industriais. Uma quantidade tímida dessas obras só foram possíveis graças à aplicação dos geotêxteis, que era capaz de “neutralizar” o solo brasileiro para essas construções. 

Imagem 03: Prédios dos ministérios em 1959, durante a construção de Brasília

 

1960 a 1980: um salto na história dos geossintéticos

Saindo do contexto brasileiro e partindo para a Europa, nos anos 60 tivemos o início do uso dos geotêxteis não tecidos, que eram muito utilizados em obras viárias, na separação de duas camadas de solo com distribuições de partículas diferentes, como para evitar que os materiais da base penetrem no solo mole de camadas subjacentes, assim mantendo a espessura da camada de projeto e a integridade de uma estrada.

Já nos anos 70, tivemos a aplicação dos geossintéticos em maior escala para reforçar a construção de aterros e barragens, como no caso de construção de taludes e muros de contenção. Além disso, também começou a ser utilizado na construção de malhas asfálticas, prolongando a vida das rodovias, economizando dinheiro e evitando manutenções. 

Uma década depois, já nos anos 80, três grandes marcos históricos reforçam a importância deste tipo de produto: a Conferência Internacional de Geotêxteis, nos EUA, a criação da IGS – Sociedade Internacional de Geotêxteis e, já no fim da década, a Conferência Internacional de Geotêxteis na Áustria.

Anos 80

A utilização de geossintéticos no Brasil vem ganhando espaço desde o início dos anos 80. Primeiramente com obras de drenagem e filtragem e, em seguida, com obras de reforço de solos. Mesmo sendo crescente a aplicação de materiais geossintéticos, menos de 1% do consumo mundial desse material ocorre no Brasil. 

Década de 90

No transcorrer dos anos, os arranques gerados pelos estudos teóricos sobre geossintéticos apresentados estimularam o surgimento de uma leva de produtos e usos, que ao se combinar possibilitaram inúmeras utilizações, estudos contam mais de quatrocentos produtos comercializados e mais de cem aplicações distintas. 

Durante a década de 90, foram diversos congressos, conferências e seminários acerca do tema, inclusive no Brasil. Confira alguns deles: 

No Brasil:

  • 1992 acontece o Seminário sobre Aplicações de Geossintéticos em Geotecnia – Geossintéticos 92
  • 1994 é formada a Associação Brasileira de Geossintéticos – IGS Brasil
  • 1995 transcorre o II Simpósio Brasileiro sobre Aplicações de Geossintéticos
  • 1998: criação da Associação Brasileira de Geossintéticos – IGS Brasil
  • 1999, no Rio de Janeiro, realiza-se o III Simpósio Brasileiro sobre Geossintéticos/I Simpósio Sul-americano de Geossintéticos. 

No mundo

  • 1990: 4ª International Conference on Geotextiles, Geomembranes and Related Products, na Holanda
  • 1994, a 5ªInternational Conference on Geotextiles, Geomembranes and Related Products, em Cingapura
  • 1998: 6ª International Conference on Geosynthetics, nos EUA.

A atualidade dos geossintéticos

Para um exemplo mais atual de aplicabilidade dos geossintéticos, trouxemos uma obra de 2013, no sistema de drenagem do gramado do campo de futebol da Arena Fonte Nova, onde utilizaram o geotêxtil não-tecido no sistema de drenagem para evitar o acúmulo de água superficial, que prejudica o crescimento do gramado e a realização de jogos em épocas de chuva.

No caso da arena, o geotêxtil atuou nesse caso como elemento de filtração e separação. Ele permitiu que a água escoasse rapidamente, sem carregamento de partículas e sem mistura de materiais, o que preserva a constituição original dos mesmos e evita o entupimento dos drenos.

Imagem 04: Uso do geotêxtil  no sistema de drenagem da Arena Fonte Nova (2013)

Apesar do uso deste tipo de material ter evoluído nos últimos anos no Brasil, ainda subutilizados os geossintéticos e suas infinitas possibilidades, que são comprovadas, como: 

  • redução de custos da obra;
  • redução de tempo na construção;
  • facilidade de transporte;
  • menor impacto ambiental.


Entretanto, analisando pesquisas atuais de mercado acerca do tema, acreditamos que a utilização deste material tende a crescer de forma exponencial em curto período de tempo, já que vai de encontro com o comportamento da sociedade e do mercado nos últimos anos e, segundo estudos, num futuro próximo também.

Confira alguns acontecimentos recentes que provam que vale a pena investir nos geossintéticos, já que são parte do futuro da construção: 

E você, o que acha sobre GEOSSINTÉTICOS e sua aplicabilidade no Brasil? Deixe aqui nos comentários.